MANEJO DOS ALEVINOS

            A escolha adequada do sistema de cultivo é fator-chave no sucesso de qualquer tilapicultura. Influenciam nesta escolha o mercado consumidor, o capital, os insumos, a mão-de-obra as características do local de criação e o manejo.

 Três fatores de grande importância deverão ser considerados de forma muito criteriosa:

Escolha do Alevino

             A escolha dos alevinos é um dos fatores de maior importância no sucesso de uma piscicultura. O produtor deverá adquirir alevinos geneticamente adequados em estações que garantam  qualidade sanitária e potencial de desempenho.  

Algumas populações de espécies exóticas de peixes (carpas, tilápias-do-Nilo e catfish) apresentam melhoramento genético, produzindo um rápido crescimento e uma grande uniformidade nos lotes. Entretanto, devido a um recente processo de manejo, a domesticação das espécies brasileiras ainda apresentam um desempenho muito variável entre lotes e dentro de um lote.  Nestas condições, mesmo em lotes homogêneos de alevinos, podem ser encontradas baixas taxas de sobrevivência e grandes variações.  

Transporte dos Alevinos           

Os alevinos são transportados em embalagens hermeticamente fechadas - sacos plásticos preenchidos com água e oxigênio puro injetado sob pressão. O tamanho das embalagens, a quantidade de água e alevinos é muito variável, depende da espécie, do período estimado de transporte e da temperatura da água.  

            Antes de se trazer os alevinos, é importante assegurar que a água onde serão colocados apresente características adequadas aos alevinos. O condicionamento do viveiro antes da colocação dos peixes é fundamental.  

Ao chegar na fazenda, as embalagens deverão ser colocadas flutuando, ainda lacradas, por cerca de 15 a 20 minutos na água do local da estocagem. Atingido o equilíbrio térmico entre a temperatura interna e externa das águas, as embalagens deverão ser abertas e alguns litros de água  lentamente adicionadas ao saco. A seguir, os alevinos são cuidadosamente liberados e nadam naturalmente para fora do saco  

Estocagem dos Alevinos 

Ambiente da criação 

            A maior parte das pisciculturas nos sistemas mais intensivos contam com viveiros sistematizados com 2.000 a 15.000 m2 (forma retangular, com relação largura: comprimento de 1:4 a 1:10) com o abastecimento e o escoamento de água nas extremidades opostas. A água é utilizada somente uma vez em cada viveiro (entradas e saídas independentes). A vazão varia de 3 até 50 L/s/ha (reposição das perdas por percolação, evaporação e renovação parcial das águas). A profundidade recomendada é de 1 metro na parte mais rasa e 1,5 a 2,0 metros na parte mais profunda (declividade de 0,2-1%).  

            Os alevinos devem ser protegidos contra a ação dos predadores (insetos – odonatos, hemipteros, coleópteros -, peixes carnívoros, anfíbios, aves e mamíferos), sendo de grande importância a completa drenagem dos viveiros ao final das transferências de juvenis ou nas despescas finais. 

Os viveiros devem permanecer secos e expostos ao sol pelo menos 24 horas antes de receber o calcário ou cal virgem na operação de pousio (permanecem vazios), eliminando dessa forma insetos, peixes e anfíbios, além de inviabilizar os ovos desses animais. Os projetos com captação de água a partir de represas e barragens já estabelecidas devem possuir telas, cercas e filtros de água ou outras instalações necessárias para o recolhimento e expurgo de todo o animal ou material estranho à operação de cultivo.


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PISCICULTURA: UM GRANDE INVESTIMENTO

            O futuro da piscicultura parece ser muito promissor, principalmente ocupando parte do vazio que está sendo deixado pela já estagnada pesca extrativa. 

            Nos últimos 25 anos cultivamos mais de dez vezes tudo o que havia sido produzido nos últimos 4.000 anos somados. No início da década de 70, a aquacultura contribuía com cerca de somente 0,1% do total pescado. Dez anos depois este percentual subiu para 2,5% (um aumento de quase 25 vezes). Estimativas da FAO, prevêem, para o ano 2.000, que cerca de 25% de todo o pescado consumido no mundo será cultivado. Com as carpas, ostras e salmões, este percentual é superior a 95%. As tilápias cultivadas perfazem 60% do total comercializado, porém, em breve estes percentuais deverão ser comparáveis aos das carpas e salmões, pois a tilápia é a espécie que mais cresce em termos de cultivo no mundo inteiro. 

            Dados do Departamento de Pesca e Aquicultura do Ministério da Agricultura revelam que a tilápia é há três anos consecutivos a espécie de peixe mais cultivada no Brasil. No ano que passou, 33.600 produtores despescaram 35.405 toneladas de tilápias, gerando uma receita bruta de US$ 23 milhões, empregando aproximadamente 66.407 pessoas em toda a cadeia produtiva. 

A piscicultura ainda está concentrada na Ásia. A China é o principal produtor mundial em volume. Apesar da América Latina ainda contribuir com um pequeno percentual da produção mundial de peixes, é a região do mundo onde a atividade mais tem crescido, e as possibilidades de aumento parecem ser ilimitadas, especialmente no Brasil. 

            Existe uma demanda mundial cada vez maior por produtos específicos e de qualidade garantida,  com proteínas de alto valor biológico a um baixo custo, oriundas principalmente dos organismos aquáticos. Considerando-se ainda o constante aumento da população humana, principalmente nos países em desenvolvimento, conclui-se que a piscicultura cada vez mais possuirá papel preponderante na disponibilidade de organismos aquáticos a médio e longo prazo.


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CUIDADOS SANITÁRIOS   

            A AQUAMALTA recomenda: 

A prevenção ainda é o procedimento mais racional para se evitar a maioria das doenças. Algumas doenças não são técnica ou economicamente viáveis de serem tratadas. As enfermidades dos peixes podem ser causadas por agentes infecciosos e agentes não infecciosos. Os agentes infecciosos são as bactérias, os fungos e os vírus. Também podem ser encontrados agentes parasitários como protozoários e/ou metazoários. Os agentes não infecciosos mais comuns são  a qualidade de água e a nutrição. 

            Os agentes infecciosos mais comuns são os parasitas e as bactérias, normalmente encontrados no ambiente aquático. Não ocasionam problemas graves quando os peixes estão em bom estado nutricional e não estão sob estresse. O produtor deve estar atento a determinadas ocasiões onde o surgimento de doenças é mais freqüente:

            Os sinais clínicos mais comuns de doenças ou estresse são:

Em caso de dúvidas, entre em contato com um Médico Veterinário especializado em piscicultura.


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SISTEMAS DE PRODUÇÃO DE TILÁPIAS 

            São várias as formas de produzir  tilápias, podendo ser basicamente classificadas de acordo com o grau de interferência do homem e intensidade do uso de insumos. Em termos de produtividade, podem ser divididos da seguinte forma: 

Sistema extensivo 

            A produção extensiva de tilápias é semelhante à pecuária extensiva. Consta da simples estocagem de 150 a 1000 alevinos/ha de lâmina d’água, dependendo do porte dos peixes. O corpo d’água, geralmente um açude não sistematizado, sem forma definida. A interferência do homem é mínima e os tilápias crescem às expensas da produtividade natural do viveiro ou açude. Produtividades da ordem de 300 a 500 kg/ha/ano tentam ser obtidos nestas condições, porém as taxas de recuperação das tilápias estocados são muito baixas. 

Sistema semi-extensivo 

            O sistema semi-extensivo é atualmente o mais utilizado na piscicultura brasileira. Trata-se da estocagem de 1.000 a 5.000 alevinos/ha de lâmina d’água. O corpo d’água sistematizado, geralmente com forma retangular, com entrada e saída de água em cantos opostos.  O grau de interferência do produtor ainda é mínimo, restringindo-se a colocação eventual de matéria orgânica como estercos, resíduos, ração caseira ou destinada a outras espécies animais. A poluição ambiental é significativa neste sistema de produção, especialmente por ocasião da despesca final. O controle da qualidade de água é mínimo apesar das trocas de água serem pequenas, geralmente inferiores a 5% do volume total. Produtividades entre 500 e 2.500 kg/ha/ano são registradas neste sistema.  

Sistema semi-intensivo 

            O sistema semi-intensivo consiste na estocagem de 2.000 a 15.000 alevinos/ha de lâmina d’água. O piscicultor torna-se mais atuante, alimentando diariamente as tilápias com rações comerciais e suplementando a alimentação das tilápias com adubações ocasionais que podem ser químicas e/ou orgânicas. Realiza, eventualmente, o controle da qualidade de água, uma vez que as trocas diárias de água neste sistema são maiores, de 5 a 10% do volume total do viveiro. A aeração artificial é utilizada esporadicamente em casos de emergência e em taxas inferiores a 2,0 HP/ha. A produtividade do sistema semi-intensivo varia de 2.500 a 6.000 kg/ha/ano. 

Sistema intensivo 

            Este sistema consiste na colocação de 5.000 a 80.000 alevinos/ha de lâmina d’água. Utiliza viveiros escavados e rações comerciais de boa qualidade. As adubações são diárias, somente químicas, são realizadas. Visam quase que exclusivamente a qualidade de água do sistema. O monitoramento diário da qualidade de água é essencial, mesmo com trocas de água mais intensas, superiores a 10%. O uso da aeração noturna (e em alguns casos durante 24 horas) é muito freqüente, em taxas que variam de 2,0–8,0 HP/ha. Produtividades de 6.000 até 30.000 kg/ha/ano são comuns neste sistema.  

Sistema super-intensivo 

            As taxas de estocagem variam de 40 a 80 peixes/m3 de lâmina d’água. Utiliza viveiros ou tanques de pequeno porte com taxas de renovação de água elevadas que podem ser superiores a 100% do volume/hora. A instalação é revestida, raramente viveiros escavados. A modalidade mais encontrada é a “raceway”, espécie de corredor ou estrutura circular onde as tilápias nadam contracorrente. O controle da qualidade de água e o manejo da alimentação são realizados várias vezes ao dia,  o uso de aeradores é opcional. A alimentação das tilápias é exclusivamente proveniente de uma ração balanceada  específica quanto a espécie e fase. As produtividades obtidas com a linhagem Chitralada variam de 15 a 50 kg/m3.  

Gaiolas e Tanques-Rede 

            É aparentemente a forma mais intensiva de se cultivar tilápias, pois confina num espaço reduzido uma elevada população de peixes, 50 a 600/m3 de lâmina d’água. Entretanto, o número de tilápias no corpo d’água não é elevado, portanto, o sistema não é demasiadamente intensivo. As gaiolas, estruturas rígidas, ou tanques-rede, estrutura de panagem flexível, são construídas de diversas formas predominando a forma quadrada. São compostas por vários materiais, telas tipo alambrado de plástico, aço inox, alumínio ou ferro com revestimento de PVC. Apresentam volume reduzido,  2 a 30 m3. Da mesma forma que o sistema anterior, o controle da qualidade de água e o arraçoamento com uma ração espécie-específica e balanceada, são realizados várias vezes ao dia. Produtividades de 100 a 200 kg/m3 são freqüentes quando se utiliza a linhagem Chitralada.


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