ORIGEM DAS TILÁPIAS DA AQUAMALTA   

 HISTÓRICO DA IMPORTAÇÃO DAS TILÁPIAS-DO-NILO DA TAILÂNDIA 

As primeiras tilápias foram introduzidas no Brasil nos anos 50 e, por engano, não eram nilóticas. Eram tilápias das espécies Mossâmbica, Rendalli e Zilli. A primeira introdução oficial das nilóticas no país foi somente na década de 70. Em meados de 1992, houve a constatação de que os estoques comerciais e institucionais de nilóticas já não estavam mais puros e a ocorrência de anomalias genéticas em até 5% dos exemplares de algumas desovas.  

Em 1993, após um levantamento das fontes dos estoques de tilápias no Brasil e no exterior, concluiu-se que já não mais haviam estoques de nilóticas puras na natureza devido às transferências de várias linhagens de várias tilápias. Em 1994 foram localizados estoques de elevada performance em Israel, na Flórida e na Tailândia, e no final do ano foram feitos os pedidos de importação, prontamente acolhidos pelo IBAMA em Janeiro de 1995. No mesmo ano, a situação de degradação de grande parte dos estoques de nilóticas já atingia níveis alarmantes, cerca de 35% em algumas desovas, e o assunto começou a ser amplamente debatido em encontros e congressos. 

O processo de importação de tilápias-do-Nilo puras e criação de banco genético e de um programa de uso dos reprodutores foi realizado no final de 1996, após diversos contatos com várias instituições de pesquisa e manutenção de bancos genéticos nos EUA, Israel e Tailândia, sendo a proposta do AIT da Tailândia considerada como a mais vantajosa, técnica e economicamente.  Em 1998 teve início o programa de melhoramento genético que hoje é implementado na AQUAMALTA, com a seleção e manutenção de três bancos de avós da linhagem Chitralada, que produzem os pais da geração comercial de alta performance que é comercializada.  

COMO SURGIU A LINHAGEM CHITRALADA DE ALTA PERFORMANCE  

            Na década de 40, no pós-guerra, o Imperador Hiroito do Japão foi presenteado com uma grande população de peixes de uma linhagem pura de Tilápias-do-Nilo trazidas de Alexandria, Egito. O imperador japonês manteve esta linhagem de peixes em seu Palácio Imperial, tendo o cuidado de acompanhar, com os melhores técnicos das Universidades Japonesas, a seleção e melhoramento desta população. 

            Vinte anos depois, no final década de 60, praticamente já não existiam populações de tilápias-do-Nilo puras na natureza, uma vez que nos anos 50 diversos governos da África e outras regiões do mundo realizaram introduções errôneas e massivas das tilápias Aurea, Hornorum, Zilli, Rendalli e Mossâmbica em cultivos e na natureza, que acasalaram com as nilóticas e praticamente acabaram com a pureza da espécie. Diversos aquários estocados na década de 40 foram a única e limitada fonte de nilóticas puras.  

            A linhagem pura de tilápia-do-Nilo introduzida na Tailândia foi doada pelo Imperador Hiroito nos finais dos anos 60 e, nesses 30 anos, tornou-se a espécie de peixe cultivado mais importante do país. O estoque inicial ou Banco Genético foi mantido em viveiros do Palácio Real de Chitralada em Bangkok, a partir do qual foram produzidos alevinos para a distribuição em todo o país. A linhagem real passou a ser denominada de Chitralada ou Thai (de Tailandesa).  

            Esta linhagem vem sendo comparada com outras populações selecionadas de tilápias-do-Nilo, obtendo resultados superiores às demais, inclusive em comparações realizadas pelo Asian Institute of Technology (AIT) da Tailândia, com tilápias do programa de melhoramento animal GIFTA do ICLARM/Luzon/Stirling das Filipinas.